
Para realizarmos o TFC, nos focamos no estudo dos relacionamentos afetivos
entre os adolescentes na atualidade, relacionamentos esses considerados
descartáveis, pois são momentâneos, duram apenas alguns minutos ou horas.
Buscamos alguns teóricos que falam do assunto, Bauman
(2004), que é considerado um dos sociólogos mais influentes do mundo, e
Meireles (2007). Ambos têm uma teoria sobre os relacionamentos de bolso.
A partir da teoria de Bauman (2004) e Meirelles (2007),
podemos entender que vivemos em um mundo descartável, onde os jovens são
motivados pela sociedade de consumo, de bens materiais ou emocionais. Os jovens
entram nesses relacionamentos com a consciência de que não pode haver amor à
primeira vista e onde ninguém deve satisfação a ninguém, são relacionamentos
sem compromisso.
Segundo Meirelles (2007), os jovens parecem ter medo de
amar, de sofrer e de se decepcionarem ao descobrir que o outro não lhe traz a
tão desejada felicidade. Felicidade essa alcançada quando o relacionamento é
harmonioso, onde ambos se dão bem e não há traição. Como os jovens já não
sentem mais essa firmeza nos relacionamentos atuais, eles se prendem ao medo e
passam a viver os “relacionamentos de bolso”.
Bauman (2004) utiliza a expressão "relacionamentos de
bolso", que são relacionamentos curtos, compara estes com Vitamina C: em
grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde.
Esta é a sociedade onde vivemos hoje, onde vemos cada vez
menos relacionamentos duradouros.
Será que os jovens têm medo de amar e sofrer, assim como
supõe Meireles?
Segundo Santos (1995), os relacionamentos atuais se
baseiam no "ficar", relacionamentos esses sem compromisso, para que
homens e mulheres se conheçam antes de arriscarem um namoro.
Há uma grande
diferença entre os relacionamentos atuais e antigos. Nos relacionamentos atuais
não há comprometimento como antigamente, hoje tudo acontece muito rapidamente,
as pessoas utilizam o “ficar", para conhecer pessoas, quando encontram
afinidades e se identificam resolvem seguir algo mais sério, caso contrário a
pessoa é dispensada na mesma noite ou quando acabar a “curtição”.
Portanto percebemos que o “ficar”, que Bauman chamou de
“relacionamento de bolso”, é um relacionamento que não tem prazos, pode durar
algumas horas, uma noite, uma semana e desse tipo de relacionamento pode surgir
o namoro. Pode-se dizer que no “ficar” não há envolvimento sentimental,
dedicação e comprometimento. O fato de estar “ficando” com uma pessoa não a
impede de “ficar” com outras pessoas, justamente pelo fato de não existir
compromisso.
Na adolescência essa fase do “ficar” é importante, pois é
a fase em que o adolescente está construindo sua identidade, buscando coisas e
pessoas que se identifiquem, é a fase em que o jovem sofre grandes
transformações antes de se tornar um adulto.
Entendemos que os jovens buscam esse tipo de
relacionamento para satisfazerem suas vontades, para “curtir” numa noite na
balada, enfim, a princípio é algo sem compromisso, caso haja identificação
entre ambas as partes, a “curtição” vira algo mais sério, caso contrário acaba
rapidamente.
Os
relacionamentos breves estão ligados à necessidade do adolescente explorar
diferentes identidades.
Portanto entende-se que a sociedade está mergulhando no individualismo, onde o
sujeito se encontra num mundo sem valores fixos, desnaturalizado, onde ele deve
achar seus próprios valores e fazer suas escolhas. A sociedade aparece como um
campo de possibilidades e não como um conjunto ordenado que incluiria o homem e
o universo, como nas sociedades pré-modernas. Nas últimas décadas acelerou-se a
precariedade de todos os modelos pelos quais um homem pode encontrar seu posto
singular no universo social individualista.
BAUMAN, Z. Amor Liquido: sobre a fragilidade dos laços
humanos.Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 2004. 129 p,
MEIRELLES, S. Relacionamentos descartáveis. Disponível
em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/04/10/295297064.asp.
Artigo jornal o globo online 10 Abril 2007. Acesso em: 09 Março 2009
SANTOS, L. R. Antes do namoro o ficar. Disponível em: http://www.revistapsicologia.com.br/materias/hoje/m_hoje_antesdonamoro.htm.
Data de Publicação: 1995. Acesso em: 18 Abril 2009.